terça-feira, 19 de outubro de 2010

Para Deus

Boa noite, Querido Deus!

Imagino que faz alguns anos que não escrevo mais pra você. Aquele carderninho com a foto dos meus avós está esquecido em algum lugar do meu quarto com os tantos outros cadernos que comecei e não terminei. Apesar de eu não redigir, o Senhor sabe quanta coisa mudou.

Eu já me formei duas vezes, não na minha paixão, porque esta eu ainda não consegui descobrir qual é. A Tata e o Flávio já tiveram filhos e todas as minhas tias se separaram. Eu desnoivei e decidi namorar. Eu tenho um bom emprego e ótimos amigos. E tenho um pouco mais de livros, DVDs e sapatos. Mas ainda sou aquela mesma tonta, perdida, exagerada e receosa. Talvez, se eu tivesse pensado naquela época quem eu queria ser, as coisas tivessem dado certo.

Acontece que eu assisti um bom filme no fim de semana. Se chama Comer Rezar Amar. E logo no início a atriz principal se sente perdida e resolve buscar apoio em algo maior. Ela falou sinceramente e pediu ajuda, e eu me lembrei de como eu era. Talvez o Senhor se lembre também.

Costumava contar sobre o meu dia, pedir coisas e agradecer. Agora, como estou mais velha, o negócio é só pedir mesmo, eu esqueço das gentilezas. Então posso fazer a minha listinha? Desculpe, mas dessa vez vai ser bem egoísta, nada de paz mundial, emprego pra minha família e saúde pra todas as pessoas.

• Eu quero algo pelo que me esforçar, algo que valha a pena todos os dias me levantar e trabalhar e comer e falar e viver.
• Peço ajuda pra continuar acreditando no amor e na fidelidade, apesar de estar cercada por pessoas com valores diferentes.
• Quero minha avó de volta em casa, porque eu não sei viver bem sozinha.
• Por favor me dê um talento, ou me diga onde posso comprar.
• Nós podemos combinar, assim, só entre nós, que quando estou feliz o tempo passe devagar e quando estou triste passe como um furacão?

PS: Nessa carta não dá pra escrever com caneta colorida, desenhar sorrisos, usar lápis de cor. Mas eu fiz com tanto carinho quanto.

Um beijo
Poh

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Para Política

Eu não gosto de política. Não, espera aí. A verdade é que eu não acredito em política. E cada vez menos. Talvez bem por isso que eu prefiro ser uma total alienada nesse assunto.

No primeiro turno das eleições até que eu assisti alguns dos horários políticos. Fiquei impressionada com o tanto de promessas que são feitas – é porque eu nunca tinha realmente prestado atenção. E não é que os adultos tem razão? É tudo balela!

Parece tudo tão bonito na televisão, né? Algumas propostas até me emocionaram e eu pensei que seria bem legal se tudo aquilo funcionasse. E então me senti triste, como se um namorado tivesse me enganado.

Agora no segundo turno temos dois candidatos que se preocupam mais em ferrar o outro e falar mal do que elaborar melhores propostas e se mostrar capaz de segurar o tranco.

Sou a favor do voto facultativo. Cada vez mais.